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 mãos do avô -   Nunca voltará a ver minhas mãos da mesma maneira Meu avô, com noventa e tantos anos, sentado débilmente no banco do jardim, não se movia. Estava cabisbaixo olhando suas mãos. Quando me sentei ao seu lado, não notou minha presença , o tempo passava, então lhe perguntei se estava bem. Finalmente, sem querer incomodá-lo, mas querendo saber como ele estava, lhe perguntei como se sentia. Levantou sua cabeça, me olhou e sorriu. “Estou bem, obrigado por perguntar”, disse com uma forte e clara voz. Não quiz incomodá-lo avô, mas estavas sentado aqui simplemente olhando suas mãos e quiz ter certeza de que estivesse bem, lhe expliquei. Meu avô me perguntou: “Alguma vez voce já olhou suas mãos? Quero dizer, realmente olhou suas mãos?” Lentamente soltei minhas mãos das de meu avô, as abri e as contemplei. Virei as palmas para cima e loga para baixo. Não, creio que realmente nunca as havia observado. Queria saber o que meu avô queria dizer-me. Meu avô sorriu, e me contou...

poema- mologo das mãos

MONÓLOGO DAS MÃOS - Ghiaroni (imortalizado por Procópio Ferreira). Para que servem as mãos? As mãos servem para pedir, prometer, chamar, conceder, ameaçar, suplicar, exigir, acariciar, recusar, interrogar, admirar, confessar, calcular, comandar, injuriar, incitar, teimar, encorajar, acusar, condenar, absolver, perdoar, desprezar, desafiar, aplaudir, reger, benzer, humilhar, reconciliar, exaltar, construir, trabalhar, escrever...... As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau, salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário; Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena; foi com as mãos que Jesus amparou Madalena; com as mãos David agitou a funda que matou Golias; as mãos dos Césares romanos decidia a sorte dos gladiadores vencidos na arena; Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência; os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte! Foi com as mãos que Judas pos ao pescoço o laço qu...

LUIS DE CAMÕES

O gênio maior de nossa língua foi melancólico. Como o catarinense Cruz e Souza, que assim termina, na duodécima quadra, a poesia “Tristeza do Infinito”: “Ah! Tristeza imponderável! Abismo, mistério aflito, Torturante, formidável… Ah! Tristeza do Infinito!”

poema de Luis de Camões

                                                        “Que dias há que na alma me tem posto Um não sei quê, que nasce não sei onde, Vem não sei como, e dói não sei porquê”.                                                               ( Camões)

Lindissimo poema de Vitor Hugo.

O Homem e a Mulher "O homem é a mais elevada das criaturas. A mulher é o mais sublime dos ideais. Deus fez para o homem um trono; Para a mulher um altar. O trono exalta; o altar santifica. O homem é o cérebro; a mulher o coração, o amor. A luz fecunda; o amor ressuscita. O homem é o gênio; a mulher o anjo. O gênio é imensurável; o anjo indefinível. A aspiração do homem é a suprema glória; A aspiração da mulher, a virtude extrema. A glória traduz grandeza; a virtude traduz divindade. O homem tem a supremacia; a mulher a preferência. A supremacia representa força. A preferência representa o direito. O homem é forte pela razão; a mulher invencível pelas lágrimas. A razão convence; a lágrima comove. O homem é capaz de todos os heroísmos; A mulher de todos os martírios. O heroísmo enobrece; os martírios sublima. O homem é o código; a mulher o evangelho. O código corrige; o evangelho aperfeiçoa. O homem é o templo; a ...
Difícil é falar da criação, principalmente tratando-se de uma obra tão grandiosa possuidora de distintas dimensões como é o caso de Vidas Secas,  sob o enfoque da relação de poder e autoritarismo existente no seu enredo, bem como a relação com a realidade associada a ficção e o individuo reprimido psicologicamente pelo poder econômico, o status social e intelectual. Essa obra retrata com fidelidade a vida sofrida do nordestino vitimado pela seca e psicologicamente afetado pelo poder e pela indigencia. Uma obra do senhor Graciliano Ramos que é, sem dúvida, uma celebridade na literatura brasileira. A literatura, na sua fenomenalidade é, pois um instrumento que dá vida aos vários gêneros, estéticas, estruturas e estilos que, por sua vez, dão ao criador a possibilidade de encantar o mundo através de sua arte. As idéias aqui expostas não formam um todo acabado, pelo contrário, é apenas uma tentativa de refletir e propor novas formas de abordagem na exploração de uma obra grandio...

Poema em homenagem ao nordestino

“A fome foi tão canina Que, se mais saber tu queres, No pombal duas mulheres Comeram uma menina. Também muito senti eu Quando soube que um vizinho Tinha comido um padrinho De uma égua que mordeu Mais sentiu foi quem morreu, De fome no mato e nu, Cavando raiz de umbu. E olhem como não ficaram Os filhos quando o acharam Comido pelo urubu! (...) Os que para o brejo vão Morrem de epidemia; Sofrem fome todo dia Os que ficam no Sertão. Neste pego de aflição, Vai o Sertão ficar vago! À memória tudo em trago Repassado de tristeza. Ó Deus, que és pai da pobreza, Dai-nos pão, dai-nos afago!” (Nicando Nunes e Bernardo Nogueira p.22)